16/09/2020 12:00
Materiais sustentáveis: legado para as futuras gerações

O ano de 2020 tem sido de muitos desafios para a indústria automotiva e de transportes. Porém, a história nos mostra que esses períodos são impulsionadores para a evolução tecnológica e social. A mobilidade é de fato um dos pilares da evolução humana, e precisamos estar atentos a todos os movimentos.

Consciente da necessidade de alavancar essa evolução a indústria automobilística tem avançado em tecnologias para melhorar parâmetros como redução de peso de componentes, alta performance em eficiência energética e adoção de sistemas de segurança, no âmbito do programa Rota 2030.

Paralelamente, o notável avanço de tecnologias com a acelerada introdução de materiais sustentáveis em diversas aplicações sinaliza para um futuro melhor, no qual tais objetivos podem ser alcançados minimizando-se a ameaça de escassez de recursos e a emissão de CO2. Um entre os diversos bons exemplos dessa realidade é a obtenção de sílica a partir da casca de arroz para aplicações no segmento pneumático, entre outros, que pode substituir as sílicas produzidas por processos tradicionais.

Nesse contexto a tendência em multimateriais encoraja ainda mais a inovação, comprovada pelo crescente número de cases que estudam alternativas de materiais mais sustentáveis e alternativas como o grafeno, alvo de vultosos investimentos no Brasil e no mundo, aplicados em sua produção, transformação e funcionalidade para aplicações em diferentes matrizes.

Tudo isso só nos impulsiona à necessidade cada vez maior de evoluir no uso de materiais inovadores por sua diversidade de propriedades e de meios de processo. Na indústria de materiais metálicos o desenvolvimento de novas ligas tem se mostrado muito eficiente para aumento de resistência mecânica e da capacidade de absorção de energia. Cases com alumínio extrudado de alta resistência comprovam excelente performance nas simulações de impacto lateral no veículo e na competitividade em custo.  Vale destacar que também o aço segue em constante evolução a cada geração com adições de novos elementos de liga para obter a propriedade desejada para cada aplicação.

Assim como a evolução de materiais, a indústria da mobilidade tem apostado e segue na adoção de tecnologias em técnicas de junção e soldagem, sobretudo com o desafio de unir com a máxima eficiência os mais diferentes materiais. Na mesma direção segue a variedade em tipos de adesivos estruturais, que se mostram adaptáveis aos novos processos produtivos e curam a temperatura ambiente.

Na área da Manufatura Avançada (Indústria 4.0) e Manufatura Aditiva as tecnologias tiveram um salto de desenvolvimento nos últimos anos e já são realidade. A busca por produtividade, personalização e diminuição do ciclo de desenvolvimento de novos produtos são características latentes da indústria automotiva.

Tudo isso se torna ainda mais essencial no que diz respeito ao desenvolvimento de veículos elétricos. As soluções de eletrificação correntes na Europa passam por motores de tração produzidos a partir de compósitos magnéticos macios, material inovador que permite a produção de motores com formas geométricas e topologias inusitadas, algo disruptivo em relação ao que estamos acostumados.


Carolina Hattori é consultora de Desenvolvimento de Mercado & Inovação 

 

 

 

Os textos publicados nesta coluna não refletem o posicionamento do Grupo Cidade de Comunicação.

15/09/2020 12:30
Comida industrializada x fertilidade

O brasileiro está consumindo ainda mais comida industrializada nesta pandemia. Seja pelo fato de que os conservantes ajudam a manter o alimento por mais tempo guardado, reduzindo o número de idas ao supermercado (e exposição ao vírus), ou pela praticidade se comparado ao preparo de uma refeição com alimentos frescos, o fato é que este consumo, em grande quantidade afeta a capacidade de fertilidade de quem come.

Pode parecer alarmante, e é! Mas não é o alimento que altera a capacidade de fertilidade da pessoa, mas sim o excesso de alguns elementos presentes nas comidas industrializadas, ultra processadas, com excesso de açúcar ou gordura é que podem levar a um desequilíbrio hormonal e, isso sim, pode afetar diretamente a fertilidade.

Por isso, se você que está planejando iniciar ou mesmo aumentar a família, é muito importante que aquela lasanha pré-pronta, que o macarrão de rápido preparo, que aquela pizza ou aquele hambúrguer sejam consumidos moderadamente, ou se possível, até mesmo evitá-los. Esses e outros tipos de alimentos industrializados possuem um alto teor de sódio, corante, aditivos e outras substâncias que favorecem o acúmulo de gordura. Lembre-se que durante a pandemia também diminuímos o nosso gasto calórico porque reduzimos a rotina de exercícios e a fórmula "mais comida e menos exercício" vai resultar em aumento de peso. E atenção nesse ponto, porque sobrepeso e obesidade também afetam na capacidade de fertilidade tanto do homem como da mulher.

Então, procure incluir no cardápio uma grande variedade de frutas, legumes e vegetais, além de alimentos ricos em ômega 3 e selênio, como peixes, ovos e sementes. Eles são importantes para a saúde e para sua fertilidade por conterem ácidos graxos que cuidam dos órgãos reprodutores e ajuda também ao seu corpo e a sua capacidade de fertilização.


Dra. Lilian Sério é médica especialista em medicina reprodutiva

 

 

 

 Os textos publicados nesta coluna não refletem o posicionamento do Grupo Cidade de Comunicação.

14/09/2020 11:45
Alienação parental e os reais prejuízos para crianças e adolescentes

Alienação parental é grave e passível de punição! Além de ser prejudicial para o psicológico da vítima, tal ação fere o direito fundamental da criança ou do adolescente que prevê a convivência familiar saudável e amigável entre todos. Segundo especialistas das áreas jurídica e da saúde, a alienação parental acarreta danos emocionais pode interferir na vida social. 

A Lei 12.318/2010 prevê deveres e direitos a fim de evitar qualquer perda de afeto e perturbação psíquica na fase infantil e adolescência, podendo o transgressor perder a guarda da criança ou adolescente. Não se pode usar estratégias desleais para tamponar relações amorosas fracassadas - filho é um bem maior. 

O termo "alienação parental" já havia sido adotado, desde 1980, pelo psiquiatra alemão Richard Gardner. À época, o pesquisador já considerava uma agressão programar uma criança ou adolescente para odiar pai ou mãe. Não há qualquer justificativa envolver os filhos em questões de divórcios. É abusivo e pode ocasionar consequências sérias na vida adulta dos filhos! 

A vida conjugal deve ser pautada no respeito ao próximo, entendendo as diferenças de ambos os lados. Contudo, mesmo à frente de campanhas publicitárias de apelo familiar e da própria lei 12.318/2010 existem muitos casos de alienação parental silenciados. Novas situações surgem em meio ao aumento de separações no Brasil. O IBGE divulgou em 2018 a redução de casamentos em 1,6% e o aumento de 3,2% em divórcios concedidos em 1ª instância ou por escrituras judiciais. E, nesta pandemia, segunda a Agência Brasil, o número de divórcios também aumentou, chegando a 18,7%, somente entre os meses de maio e junho. 

Assim, com base no texto que compõe o art. 2, parágrafo único da lei supracitada, é considerado abusivo:
I – realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor no exercício da paternidade ou maternidade;
II – dificultar o exercício da autoridade parental;
III – dificultar contato da criança ou adolescente com genitor;
IV – dificultar o exercício do direito regulamentado de convivência familiar;
V – omitir deliberadamente ao genitor informações pessoais relevantes sobre a criança ou adolescente, inclusive escolares, médicas e alterações de endereço;
VI – apresentar falsa denúncia contra genitor, contra familiares deste ou contra avós, para obstar ou dificultar sua convivência com a criança ou adolescente;
VII – mudar o domicílio para local distante, sem justificativa, visando dificultar a convivência da criança ou adolescente com o outro genitor, com familiares deste ou com avós”.

Alienação parental é grave! É abusivo! Proteja seus filhos e denunciem qualquer ação constrangedora a fim de evitar sequelas na vida social deles quando adultos.


Washington Mendes é advogado.

 

 

 

Os textos publicados nesta coluna não refletem o posicionamento do Grupo Cidade de Comunicação.

12/09/2020 08:30
É tempo de se reinventar

O ano de 2020 tinha tudo para ser a virada na economia. Todas as expectativas foram criadas frente às mudanças econômicas propostas na virada de 2019 para 2020. Porém, o fim do primeiro trimestre já ensaiava um cenário fatídico, o qual foi perdurado até meados de junho. O novo Coronavírus surgiu e todo o cenário internacional e nacional se voltou para o combate de pandemia. Mas é chegada a hora de retomar os ares na economia. 

Tudo indica que se não houver uma segunda onda de infecções deverão ocorrer surpresas positivas para o crescimento no segundo semestre. Sob a hipótese de que o processo de flexibilização gradual das restrições à mobilidade e ao funcionamento das atividades econômicas iniciado em junho se mantenha, projeta-se a recuperação gradual do PIB no terceiro e quarto trimestres. 

Um dos porquês que existem para nos deixar otimistas para os próximos 180 dias é que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou nos últimos dias um crescimento de 8,9% na produção industrial brasileira. Esta foi a sua maior taxa desde junho de 2018 (12,5%). Esse aumento está relacionado a grandes categorias econômicas e a mais impactada é a de veículos automotores, reboques e carrocerias, que avançou 70%, impulsionada pelo retorno à produção de unidades paralisadas por causa da pandemia da COVID-19. Ou seja, a economia não está mais estagnada. 

Aos poucos, novos horizontes estão sendo traçados e as propostas econômicas feitas para o início de 2020 poderão de fato se concretizarem. É hora de juntar esforços para encarar uma nova realidade moldada por cuidados sanitários ainda mais exigentes, porém coerentes. As empresas e companhias precisam mais do que nunca se adequarem ao atual cenário para girar (e continuar girando) a gigante roda da economia a qual todos nós dependemos.


Augusto Fernandes é CEO da JM Aduaneira 

 

 

 

 

 

Os textos publicados nesta coluna não refletem o posicionamento do Grupo Cidade de Comunicação.

 

09/09/2020 01:00
Dias melhores sob duas rodas

O novo Coronavírus fez com que a vida de muitas pessoas ficasse restrita ao espaço de casa. Com isso, a demanda por serviços de entrega por aplicativo se multiplicou e a atuação dos motociclistas profissionais foi considerado como essencial durante a pandemia.

Na última semana, a foto de um entregador no trânsito chamou atenção na internet. Na mochila térmica, havia um recado de alerta aos demais condutores escrito por sua filha pedindo para que tivessem cuidado com seu pai pois ela o amava muito. Mesmo criança, ela já tem consciência do quanto é arriscado o trabalho de um motociclista.  

Sabe-se que, no trânsito, os maiores devem cuidar dos menores. Nessa situação, os motociclistas são os menores por estarem mais expostos. Infelizmente, a violência ainda é muito constante nas vias. A imprudência, o abuso, a falta de paciência e respeito ao próximo acabam gerando inúmeros acidentes todos os dias. Uma colisão leve, que em um veículo de quatro rodas geralmente acarreta apenas em dano material, pode custar a vida de um motociclista.

A moto é responsável por 80% das internações por acidente de trânsito. Entretanto, a redução do número de veículos nas vias reduziu a chance de imprevistos, mas eles não deixaram de existir. Dessa forma, orienta-se que cada vez mais os profissionais busquem capacitação, busquem cursos de direção defensiva e de reciclagem. Sempre há o que aprender e ou se atualizar. É importante ressaltar que vale a pena todos os tipos de investimentos como forma de preservação da vida.

O recado da filha do entregador pode se estender a todos os motociclistas profissionais que estão trabalhando nas ruas nesse momento. Todos têm uma família ou alguém que deixou em casa à espera de seu retorno.  No atual momento de pandemia de Covid-19, são eles que colaboram para que a sociedade continue tendo acesso a produtos e serviços de forma rápida e segura.


Eliardo Martins é presidente do Sindicato das Autoescolas do Ceará

 

 

 

 

 

Os textos publicados nesta coluna não refletem o posicionamento do Grupo Cidade de Comunicação.

07/09/2020 01:00
Ceará inovador na base para uma indústria forte

O fato do Ceará ter garantido o segundo maior crescimento da produção industrial no Brasil em junho frente ao mês anterior mostra o potencial que a indústria cearense tem para avançar mesmo em um período tão desafiador quanto o que enfrentamos em 2020. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) são sinais de que, se garantirmos a base e o investimento necessário, contaremos com o fortalecimento e o avanço do setor industrial no Ceará.

O Centro Industrial Cearense (CIC), juntamente com a Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), aposta que um terreno fértil para esses avanços depende da inovação, da internacionalização dos negócios – não só de exportação, mas também de importação, de serviços e de parcerias nas áreas tecnológicas – e da consolidação de clusters industriais que permitem a otimização dos custos do setor.

O momento pelo qual passamos na saúde, que gerou impacto em outros segmentos demonstrou a importância de contarmos com uma base industrial forte, e também, de não sermos totalmente dependentes do fornecimento de insumos que vêm de outros países. Podemos e precisamos ser mais diversificados.

O CIC ressalta que uma indústria fortalecida movimenta também os serviços e o comércio. Já somos um dos estados mais digitais do País e temos potencial para avançar na formação de um ambiente cada vez mais inovador com uma mão-de-obra bem qualificada que permaneça no estado contribuindo com as empresas locais.

A aproximação entre indústria e academia é uma relação que se mostra cada vez mais produtiva e necessária para ambos os setores. O parque industrial é propulsor de pesquisa, de serviços e de negócios. Estreitarmos os laços com universidades e outros espaços de formação para um ambiente cada vez mais capacitado, e consequentemente inovador, é fundamental para alcançarmos o desenvolvimento do qual a indústria e a população cearenses precisam.



Marcos Soares é presidente do Centro Industrial do Ceará (CIC)

 

 

 

Os textos publicados nesta coluna não refletem o posicionamento do Grupo Cidade de Comunicação.

05/09/2020 10:00
Como alguém se acha poderoso, se nem ao menos tem a fórmula da imortalidade?

Estamos vivendo um momento em que a ansiedade está ativa, mal aproveitada e potencializada. Tudo isso é a fórmula perfeita para as máscaras caírem. A insegurança devido à incógnita econômica e do vírus, também por escapar das mãos a capacidade de resolver já que todos esses fatores não há poder que resolva. A falta do convívio onde extrapola-se o uso do poder, aumentando a insegurança e a necessidade de mostrar algo já que não há uma aceitação própria, um sentido de falta inconsciente. 

O ego é a necessidade de ser visto, na falta de aceitação própria, na pendência consigo mesmo, e, junto a isso, o poder equipara-se à realidade abstrata de quem acredita sempre ter razão. O caso do desembargador e tantos outros casos de abuso de poder e de autoridade, por exemplo, mostram a falta de inteligência e insegurança de quem usa o cargo para sobressair perante o outro. Pode ter a formação acadêmica que for, mas intelectual é aquele que tem conhecimento de determinado tema, como quem passou para juiz, por exemplo, e estudou conteúdos para tal.  Mas é bom lembrar que isso não quer dizer que seja inteligente, afinal, pessoas astutas pensam na consequência e sabe o quanto é ignorante se achar melhor que o outro. 

Pessoas com essa inteligência elevada, por exemplo, têm maior dificuldade para passar em concursos públicos por não conseguir ter um foco em matérias que não interessam e nem em repetições, ou seja, nem sempre o esforçado é inteligente. Nos Estados Unidos, por exemplo, onde buscam superdotados para suas universidades, quando acham um, já os incluem sem necessidade de prova para passar. Pois sabem que internamente se dedicarão e farão o melhor. 

Tudo isso são exemplos que explicam que não interessa o cargo que tem, sua sapiência é demonstrada na humildade e a explicação é simples: Os inteligentes tendem a usar a humildade para aprender e entender o outro, assim como são observadores a ponto de querer entender. Essas pessoas não costumam usar o poder pois sabe as consequências e porque são mais seguros de si, não apresentando vontade de usá-lo contra o outro. 

Pessoas inteligentes costumam ser mais filósofos, afinal pensam mais na vida, e não faria sentido pensar ter poder se a morte é igual para todos. Seria impossível um ser poderoso e mortal, a não ser que tivesse a fórmula da imortalidade ou, em vida, não teria tempo de consertar seus erros como consequência da arrogância. Só vamos curar a arrogância e a prepotência se investirmos em educação escolar e social e injetarmos filosofia no conhecimento de todos usando como a estatística, experiência, fatos passados. São formas de conhecimento para que compreenda o presente e não cometam erros que leve um país a ser pior no futuro.


Fabiano de Abreu é neurocientista e filósofo 

 

 

 

Os textos publicados nesta coluna não refletem o posicionamento do Grupo Cidade de Comunicação.

04/09/2020 01:00
Defenda os livros

No clássico de ficção Admirável mundo novo, o visionário Aldous Huxley imaginou uma sociedade distópica na qual a população dispunha da substância psicotrópica Soma, um comprimido que reduzia a ansiedade, o estresse e outros sentimentos negativos, deixando os indivíduos em um estado de relaxamento e alegria. Fico imaginando o que, em dias de pandemia, confinamento e distanciamento social, poderia ser um substituto pragmático para a Soma. E ouso concluir: livros de ficção.

Não, não é uma proposta pueril ou ingênua. Como autor e ávido leitor de obras do gênero, posso afirmar que poucos recursos têm tanta capacidade de ajudar pessoas em momentos de dificuldade emocional (como estes de COVID-19) quanto um bom livro — e de ficção.

A literatura, por si só, carrega a extraordinária capacidade de mexer com a mente e o coração. O ser humano precisa de histórias para a alma, assim como precisa de água para o corpo. A leitura enriquece o banco de dados do cérebro, movimenta os processos cognitivos e impulsiona nossa capacidade de pensar e raciocinar.

E, se adicionamos à literatura o elemento ficção, temos um salto exponencial naquilo que podemos experienciar. A ficção nos remete num átimo a eras e lugares sem o novo coronavírus. Ao ler um C. S. Lewis, desbravamos Nárnia; ao sorver um Gabriel García Márquez, viajamos ao passado colombiano; ao desfrutar de um Arthur Conan Doyle, participamos de investigações na Inglaterra vitoriana; ao consumir um Ferenc Molnár, nos tornamos garotos na distante Budapeste.

Ficção tem este poder: o de nos cronoteletransportar. Esqueça a máquina do tempo de H. G. Wells, pois livros de ficção são o melhor meio de levá-lo ao passado e ao futuro. Esqueça os vulcões da Islândia de Júlio Verne, pois livros de ficção são o melhor meio de levar você ao centro da terra.

É fato que os dias de pandemia do coronavírus têm levado muitos a um profundo sofrimento emocional. Trancados em casa, longe do contato humano, prejudicados financeiramente, temerosos por sua vida... o que não faltam são razões para abalar emocionalmente. A falta de paz não poupa ninguém.

Para piorar, a tendência dos angustiados, ansiosos e deprimidos por conta da atual situação é cravar os olhos nas telas de televisão ou agarrar os ouvidos aos noticiários de rádio, por onde só recebem notícias de mortes, desgraças, desatinos e controvérsias político-epidemiológicas. Surgem sentimentos agudos de raiva, desamparo, solidão e impotência, que levam muitos a, incapazes de lidar com a dor da realidade, correr para o álcool ou as drogas lícitas e ilícitas. Sem falar nas redes sociais, que acabam se tornando um polo de desabafos explosivos, fake news angustiantes e multiplicação exponencial da dor da alma.

A realidade é dura e estou imerso nela. Tenho empatia de todos os que, como eu, vêm se angustiando com tudo o que envolve as limitações deste momento. Na obra de Huxley, o uso perene do Soma acaba levando as pessoas à completa falta de capacidade para lidar com sentimentos como tristeza e angústia. Na vida real, prefiro crer que os livros de ficção são um dos caminhos mais saudáveis para se distanciar da crueza destes dias.

O estresse é causado por uma sobrecarga de vida real. Portanto, se a realidade é dura, por que não buscar refúgio na Grécia de Homero, na Itália de Julieta, na Espanha de Quixote, na Inglaterra de Jane Austen, nos oceanos de Herman Melville, no Rio de Janeiro de Machado de Assis? Um excelente caminho para fugir da ansiedade dos dias de coronavírus está ao alcance da mão. Basta abrir um bom livro de ficção e ser transportado a eras e lugares outros.

Com isso, quando voltarmos à realidade, além de termos passado um bom tempo repousando a mente da tristeza hodierna, ainda trazemos conosco a lembrança de que existem muitas outras realidades além da nossa — e, com isso, vem a certeza de que, quando a pandemia acabar, continuaremos a construir a nossa história.

Que, felizmente, não será de ficção.


Maurício Zágari é teólogo, escritor, editor e jornalista

 

 

 

 

Os textos publicados nesta coluna não refletem o posicionamento do Grupo Cidade de Comunicação.

02/09/2020 12:25
Tecnologia para democratizar o ensino

Algumas prefeituras estão adotando equipamentos móveis para fazer chegar o ensino à distância em algumas regiões. Essas remessas, mesmo insuficientes, também poderão entrar na rotina pedagógica das escolas após a pandemia. Escolas particulares também já trabalham com essa linha, de digitalizar mais o ensino. É desse futurismo imediato que precisamos falar, ou melhor, já não é mais um futurismo, estamos demorando demais.

A mudança das escolas para o universo digital propôs inúmeros desafios, há tantas limitações preocupantes: alunos e professores que não possuem recursos para acompanhar aulas e atividades remotas, por exemplo. O Ministério da Educação transferiu em março R$ 450 milhões para 64 mil colégios no Brasil. Sabemos que o setor precisa de mais e a única possibilidade de seguir lecionando nesse período é digitalizando o ensino. Isso deve ficar para sempre, como disse o poeta Milton Nascimento "nada será como antes".

A proposta do chamado blended learning, ensino híbrido, propõe uma parte do aprendizado de maneira off a outra on-line. O ensino de línguas, por exemplo, já adotou esse modelo há um tempo. As ferramentas digitais mostraram a possibilidade de comunicação com outras partes do mundo sem precisar se deslocar.

Para esse ano, a Base Nacional Curricular (BNCC) definiu a obrigatoriedade de aulas de inglês em toda rede pública e particular do 6º ano ao ensino médio. A tecnologia, atrelada a isso, rompe fronteiras: tradutores simultâneos online, aplicativos de videoconferência - tudo isso conecta o nosso ensino com o restante do mundo, com a cultura daquele idioma que está se ensinando.

Quando criei a minha empresa, uma edtech sediada nos EUA, que leva aulas on-line de inglês, principalmente para as menores regiões do Brasil, foi com o propósito de democratizar o ensino. Os lugares mais afastados desse Brasil teriam seus habitantes falando inglês, conectados com outro país, por um custo baixo. Oferecemos isso para mais de dez mil pessoas, gratuitamente na pandemia.

Essa movimentação entre empreendedores também desperta os governos para políticas públicas no ensino e agora é a hora de fazê-la, ou criaremos uma ilha tecnológica no ensino, e não uma nação inteira conectada.


 

Édney Quaresma é CEO da Really Experience

 

 

 

Os textos publicados nesta coluna não refletem o posicionamento do Grupo Cidade de Comunicação.

       de   12    

AV. DESEMBARGADOR MOREIRA 2565
DIONÍSIO TORRES CEP: 60.170-002
FORTALEZA-CEARÁ | FONE: (85) 3198.8888
CNEWS@GRUPOCIDADECE.COM.BR
SIGA O CNEWS
COMO ANUNCIAR
DESENVOLVIMENTO